quinta-feira, 21 de abril de 2011

Lady Musgrave

Os dias passaram rapidamente no ancoradouro de Lady. Voltamos a ter aquela sensação que tivemos nas ilhas da polinésia e Cooks, onde podíamos nadar, mergulhar e simplesmente aproveitar nosso "quintal" de casa. Mergulhamos no passe da entrada do atol e pude observar a quantidade absurda de peixes, dentre cardumes de caranhas enormes, cardumes de garoupas imensas, um mero dorminhoco no fundo da toca, e pela primeira vez uma espécie de garoupa muito grande, cinza clara com pintas pretas - parecia um dálmata ! Pra não falar na quantidade de anêmonas com seus palhacinhos de plantão (famílias inteiras). FIzemos amizade com uns alemães do barco "Carl", Harald, Petra e Ronald, com os quais dizemos alguns mergulhos. O Harald me ajudou no conserto de um probleminha que tivemos no limitador dos carrinhos da vela - ele tinha uma verdadeira "loja" de suprimentos no barco. Depois de quase quatro dias no paraíso, levantamos vela aproveitando outra janela e continuamos viagem para o norte, em principio destino Percy Island. Z

terça-feira, 12 de abril de 2011

Fraser Island / Lady Musgrave

Após um descanso merecido, levantamos ancora por volta de 10 da manhã.
Achei melhor reabastecermos de diesel. água e mantimentos no continente antes de aproarmos as ilhas da grande barreira de corais.
Pelos meandros dos canais entre o continente e Fraser Island, navegamos até Urangan, cidadezinha bem simpática com uma marina bem equipada, onde fizemos nosso "pit stop".
Enquanto eu cuidei dos abastecimentos do barco e do remanejamento do diguie, a Sandra foi até o supermercado.
Conseguimos zarpar por volta de 17 horas, numa bela final de tarde ensolarada, com uma brisa leve a nosso favor.
Já no cair da noite, deixamos pra trás os baixios do canal de Fraser e entravamos novamente no mar de Coral. A navegação até Lady Musgrave foi uma mistura de vela com motor, pois o vento era muito fraco.
Pudemos testar novamente o AIS que funcionou perfeitamente.
Avistamos a ilha faltando 10 milhas, pois ela é muito baixa, e o que vi primeiro foram os mastros dos mais de 10 veleiros que estavam ancorados dentro do atol.
A entrada no passe não é mostrada em nenhuma carta que tínhamos a bordo (Navionics, Garmin ou Cmap). A única referencia de entrada foi no manual do "Alan Lucas" - navegador que escreveu vários manuais desta região, e utilizamos como nosso guia.
Logo na entrada pudemos perceber o que nos esperava - agua cristalina, e um fundo povoado de corais.
Nosso primeiro mergulho foi depois de almoçarmos e descansarmos um pouco.
Mergulhamos exatamente no passe, e pudemos ver uma quantidade absurda de variedade de peixes em diversos tamanhos e cores.
Os corais também impressionam pela variedade de formas e cores. Pudemos perceber grande quantidade de corais mortos, mas também verificamos que muitos estão nascendo e repovoando a área que esta morrendo.
A noite foi muito tranqüila, parecendo estarmos numa marina, sem o menor movimento do barco, apenas o som ao longe das ondas batendo nos corais a distancia.
Deveremos ficar aqui por mais dois dias e depois seguirmos viagem para o norte, onde ainda não temos ao certo qual local iremos parar.
Z

sábado, 9 de abril de 2011

Mooloolaba / Fraser Island

Ultimo dia de Marina é bem parecido sempre. Agitação de provisionamento, água, combustível. Resolvemos deixar a marina na véspera de partirmos, para economizarmos uma diária e nos dirigimos até o ancoradouro próximo onde segundo um amigo, era "fácil e com profundidade boa". Claro que foi só soltarmos os cabos da marina e entrou um ventinho de 24 kt e chuva, pra ajudar na tentativa de ancoragem. A facilidade e profundidade que nosso amigo reportou, quase transformou nossa ida num encalhe vexatório. Voltamos pra marina rapidinho, e nos amarramos a ela novamente. Dia seguinte, bem cedo zarpamos. O mar e o vento, mostraram que não estavam com humor muito bom. Chuva fina, vento de 20 kt pra inicio de manhã e um mar confuso com swell da direita de até 3 metros, e ondas e marolas que vinham da esquerda (provavelmente do swell que reverberava na costa e voltava). Desconforto total em todas as quase 60 milhas até a enseada de Wide Bay, próxima a entrada do canal de Fraser Island. Ancoramos ja no final do dia. Mas, ancorados tínhamos a sensação de estarmos navegando, tamanha agitação pelo swell e vento. Conseguimos tirar um cochilo mesmo assim, mas por volta de 23 horas, recebemos um chamado de um barco australiano que conhecemos em Mooloolaba, que nos informou que tinha entrado na barra e que as condições apesar de marginais, a profundidade era boa. Resolví que ficarmos ali, seria noite jogada fora. Levantamos ancora, depois de estudarmos bem a entrada e combinarmos exatamente como seria a passagem. Não tenho muita coisa pra elogiar os Australianos ultimamente, mas não posso deixar de observar como são confiáveis as sinalizações dos canais por aqui. Lembram muito o sistema de docagem (quando encostamos os aviões nos fingers dos aeroportos) que usamos na aviação. Apesar da precisão, foi pura adrenalina, pois o vento chegou a 28 kt, e as ondas enormes, entravam pela popa, fazendo o Tutatis surfar. Eu não vi muita coisa, pois estava muito focado nas luzes e nas informações do plotter/gps pra perceber qualquer outra coisa. Sentia minhas pernas molhadas a toda hora - A Sandra me contou depois, que eram as ondas que estouravam na popa do barco e parte delas entravam no cockpit. Eu sentia o barco deslizar e as luzes sumirem de vez em quando também.. claro.. o Tutatis entrava dentro do cavado entre uma e outra onda, e la em baixo a gente não via nada exceto e escuro do paredão de agua a nossa frente. Emocionante! Depois, dentro do canal, ja com menos adrenalina, pudemos conversar e trocar idéias sobre o que passamos. Encontramos uma ancoragem logo na entrada do canal, jogamos a ancora e dormimos. Dia seguinte cedo, saímos navegando pelos canais entre o continente e Fraser Island, pois queremos chegar o mais longe possível para entrarmos novamente em mar aberto com destino as ilhas da barreira de coral. A navegação pelos canais lembram nossa paisagem caiçara dos mangues da baia de São Francisco e de Paranaguá. Os mesmos cuidados temos que ter também com relação a maré ( a correnteza chega a 3 kt em certos pontos ), e também com os baixios que mudam de lugar com o passar do tempo e as cartas, claro não se atualizam na mesma velocidade. Assim… diferente da tensão de navegar com mar grande e vento forte, dentro dos canais a tensão é de tocar o fundo do barco a qualquer instante em certos pontos. FInal do dia, alias lindo final de dia, tudo calmo, ancoramos num lugar lindo, onde lembrando frase de minha maninha querida, dava pra "ouvir" o silencio de tão quieto. Ficamos no convés algum tempo observando as estrelas, a lua que estava se pondo… nessas horas vejo que somos privilegiados. Daqui seguiremos direto para a primeira ilha da barreira de corais - Lady Musgrade. Z

Gold Coast / Mooloolaba

Os nomes de algunas localidades, ríos, parques e outras coisas mais aquí na Australia, são bem interessantes. Mooloolaba é um exemplo disso e como a maioria dos nomes esquisitos aqui, eles tem origem do aborígenes. Mooloolaba segundo pesquisei, diz respeito a uma cobra negra (mulla). Historia a parte, permanecemos em Gold Coast por mais de uma semana, e neste período enquanto aguardava a chegada do sistema AIS * que resolvi instalar no barco, entre um passeio de bike, muita chuva e algumas idas úmidas ao supermercado, deixei preparada toda a fiação dos instrumentos que iria instalar. Após receber o material, gastei mais um dia inteiro para finalizar, ajustar e testar o funcionamento do novo brinquedo. AIS * - Sistema Automático de Identificação - Este eletrônico, faz basicamente o que o TCAS (Traficc Colision Avoidance System) faz nos aviões, ou seja, você consegue "enxergar" os barcos e navios (principalmente) que estão a seu redor num raio de até 40 milhas, com informações precisas de proa, velocidade, deslocamento, destino, nome do barco, tipo de barco e mais outros itens. Isso complementa as informações que temos no radar que simplesmente apresenta um ponto na tela. Resumindo, torna nossas viagens mais seguras, principalmente a noite. Quem quiser ler mais sobre o assunto - http://en.wikipedia.org/wiki/Automatic_Identification_System Valeu a trabalheira, pois tudo funcionou como o previsto. Podemos monitorar os barcos tanto de dentro da cabine na tela do computador como na tela do nosso plotter no cockpit. Tive algum trabalho também por conta da adaptação do filtro do racor que apesar de pedido corretamente veio com a rosca diferente. Tivemos a visita de nosso amigo Bruno, que esta morando/ estudando em Brisbane, e veio a bordo para ver como é nossa vida e trocarmos algumas idéias. Tratamos de abastecer o barco e aproveitarmos a janela que se abriu para avançarmos mais ao norte, pois nossa data de 27/04 quando expira nosso visto na Australia esta chegando. Levantamos ancora cedo deixando pela ultima vez Gold Coast para traz. Ja sabíamos que a viagem seria chata, pois a previsão dava ventos de 20 kt, rajadas de até 25 na popa, com mar grande pela lateral. Lembramos as travessias do ano passado… muito rock and roll - mais roll que rock pra falar a verdade. Chegamos a Mooloolaba bem tarde (23:00), mas foi uma chegada tranqüila por conta da boa sinalização do canal. Cansados, nos amarramos ao píer da Marina e dormimos. Dia seguinte, mudamos o barco de lugar para que eu pudesse consertar o carrinho da ancora que estava com problemas. Rotina normal de limpeza, consertos e etc. Saímos com as bikes para conhecermos a cidade, alias muito linda. A praia apesar de bela, não nos inspira a menor vontade de entrar na água, pois é gelada, e o tempo ja percebemos a mudança da estação que a cada dia esfria mais. Verifico diariamente as condições de tempo e previsões que nos esperam ao norte. Incrível como a meteorologia que aprendi não serve pra muita coisa por aqui. Não existe nenhuma frente fria ou quente, não existe nenhuma oclusão, não existe absolutamente nada que justifique esse vento indecente que castiga a gente por mais de uma semana. A noite a gente ouve o gemido dos cabos do Tuta reclamando de intensidade do vento. Chuva intermitente, intercalada com rajadas de vento que jogam o barco contra o pier da marina. Assim foi nossa estada em Mooloolaba. Finalmente, depois de três dias de espera, apareceu uma janelinha menos ruim que nos possibilitou sair. Abaixo de chuva, claro, e vento fraco a principio que logo mostrou a cara não tão amiga. Z

sábado, 26 de março de 2011

Coffs Harbour / Gold Coast

Acordei cedo no dia da partida, pois tinha muita coisa pra ser feita ainda, dentre elas abastecer o barco - coisa que seria feita no posto da cooperativa dos pescadores de C.H. Nosso azar foi ter chegado a bomba um minuto atras de um barco desses de pescadores de final de semana. Enrolados até não poder mais, ficaram mais de uma hora ocupando o atracadouro da bomba. Isso atrasou nossa saída. Conseguimos finalmente sair a barra por volta de meio dia, meio "cabreiros" com o motor. Mas correu tudo bem. A viagem começou com 100% de motor, pois vento que é bom, nem pra refrescar. Com o chegar do final de tarde começou a entrar um nordeste que foi intensificando e mudando pra noroeste, e nos propiciou uma bela velejada quase a noite toda. Com o dia nascendo o vento acalmou e a tão esperada (infelizmente) corrente da Australia apareceu com tudo. Tres kt contra! Com motor e as velas todas em cima, mas fizemos 3 kt de velocidade. Nosso horario de chegada estimado para 13:00, foi para 21:00. Muito chata a tal corrente. Brigando com o vento que não sossegava no lugar e a correnteza que não diminuia, mesmo nos aproximando mais da costa, conseguimos avançar aos poucos. Acabamos por passar o Cabo de Byron (as fotos do farol de Byrob Bay), por volta de 9:00 da manhã, ja avistando a silhueta de Gold Coast. Entramos no canal de Gold Coast exatamente com o sol se pondo. Jogamos ancora já no lusco fusco no nosso antigo ancoradouro próximo ao Seaworld. Tempo de ajeitar o barco, e desmaiar de cansaço. Z

Port Stephens / Coffs Harbour

Permanecemos na boia por mais dois dias, aguardando outra "janela" para seguirmos viagem. Aproveitamos os dias em Port Stephens para reconhecer o terreno. Nossas bikes pra variar foram bem úteis. Só não deu mesmo pra entrar na água, pois alem de fria, a lembrança da garota que fora atacada por um branco, nos demovia de qualquer vontade. Na madrugada do quarto dia saímos ainda noite (3 da manhã), para podermos chegar de dia em nosso próximo destino - Coffs Harbour. A viagem começou com chuva e foi assim até boa parte da manhã. Aos poucos o sol foi aparecendo e com ele o vento, ainda tímido, mas ajudou um pouco na motorada inevitável. Continuamos navegando próximos a costa evitando a correnteza, e fizemos uma média razoável de avanço. Faltando 8 milhas para a chegada a C.H. o motor simplesmente apagou (era turno da Sandra), ela me chamou, mas não houve nada que eu fizesse que ele voltasse a funcionar. Entramos a vela na estreita baia, e para a entrada na marina, pedimos ajuda a nossos amigos do "Go Beyond", que nos rebocaram até nossa doca. Depois de pesquisar, confirmei a suspeita de combustível contaminado por agua e borra. Os dois dias que se seguiram foram usados para limpeza de tanque e desmontagem da linha de combustível e troca de filtros. Entre um conserto e outro, passeamos um pouco pela cidadezinha muito simpatica, com nossas magrelas, e fizemos uma caminhada ao topo do morro próximo a marina, de onde pudemos contemplar a paisagem do mar. Z

quarta-feira, 16 de março de 2011

Sydney - Port Stephens

Depois de quase duas semanas bem aproveitadas em Sydney, levantamos ancora ontem do ancoradouro do Market Fish. Passamos em frente ao Opera House por volta de 7:00 da manhã, com um magnifico visual das luzes do inicio da manhã. Motoramos por 5 horas, até que uma brisa começou a soprar e resolvemos subir as velas. Pouco mais tarde ja pudemos velejar sem ajuda do motor. Primeira vez em muitos meses que navegamos orçando, com o vento entrando entre a proa e a aleta direita (10Kt). Navegamos a 6 Kt de média, e por estarmos bem próximos a costa, conseguimos evitar a corrente da Austrália que provavelmente ira nos atrapalhar no restante da subida até Gold Coast. Entramos na barra de Port Stephens por volta de 1:00 da manhã. O canal bem detalhado nas cartas e as luzes de aproximação facilitaram nosso trabalho de aportagem. Nos amarramos a uma bóia de cortesia em frente ao Iate Clube local. Chuva a noite toda, mas foi ótimo para dormirmos. De manhã ficamos sabendo que houve um ataque do tubarão branco a um banhista, exatamente onde estamos ancorados... A gente nem queria entrar na água mesmo! :) http://www.nbntv.com.au/index.php/2011/03/16/shark-attack-at-port-stephens/ Z