quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Extreito de Sunda - Java

Depois de quase uma semana de uma indigesta navegada, chegamos pra variar a noite em Java, já no estreito entre ela e Sumatra, vizinha ao extinto "Krakatoa" que alias esta submerso.
Sempre conseguimos nos sair bem em nossas chegadas noturnas em nossas viagens, mas ontem não era nosso dia.
Também não da pra exigir muito da Indonesia, onde as cartas nauticas são inconfiáveis, as sinalizações são péssimas e a infraestrutura para veleiros são muito ruins.
O que vimos em nossa chegada, foi uma cidade (parte oeste de Java), próxima a Jakarta, onde provavelmente é a area industrial, que deixa Cubatão em São Paulo, com complexo de inferioridade, tamanha a quantidade de refinarias, industrias e chaminés que despejam toneladas de fumaça quimica na atmosfera.
O cheiro é terrivel e a visibilidade ao nos aproximarmos da ilha, é péssima - um fog denso.
Acabamos perdendo horas em busca de um local para ancorarmos, pois as marinas comentadas em um manual que encontramos simplesmente não existem.
Durante nosso vai e vem contra uma correnteza de 3kt no estreito, acabamos ficando sem combustivel ( tinhamos mais sessenta litros em bombonas ), e tivemos que ancorar a 40 metros para poder fazer o reabastecimento.
Encurtando, o motor da ancora nos pregou uma peça, e fora o banho de diesel, conseguimos "desatolar" tres horas depois.
Resultado, conseguimos ancorar num lugar bem ruim por volta de tres da manha.
Hoje iremos nos situar e tentar o reabastecimento e provisionamento do barco.
Nossa intenção é sairmos o quanto antes em direção a Cocos Keeling.

Z

terça-feira, 6 de setembro de 2011

De volta ao Indico - Singapura - Estreito de Sunda

Estamos no sexto dia da travessia e deveremos chegar amanhã, onde esperamos encontrar uma marina na ilha de Java para podermos reabastecer o barco de comida e diesel.
A viagem vem sendo muito ruim, pois estamos navegando no contravento, na contra-maré, contra tudo!
Nossa média vem sendo irritantes 3,5 kt de velocidade com a singradura não passando de 85 milhas/dia, ainda graças a ajuda do motor.
Tudo bem a bordo, apenas não pudemos escrever antes por absoluta falta de propagação do radio para podermos enviar nossos emails.
Nossa posição, S 3 46, E 106 20

Z

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Estada no Brasil

Deixamos o Tutatis “descansando” na marina e fomos ao Brasil via aérea. Antes de embarcarmos, resolvemos ficar uns dias em Singapura para podermos conhecer um pouco a cidade e nos habituarmos com a civilização novamente. A viagem ao Brasil foi cansativa, durando cerca de 48 horas entre taxi, ônibus, trem, avião e aeroporto. Tudo foi compensado pela alegria de dividir a felicidade com minha filha que se casou, e rever toda família que tanto falta nos faz. O tempo passou rápido mesmo com o atraso da volta devido a alguns probleminhas de saúde. A volta foi menos “dolorida”, pois o deslocamento para leste é mais fácil do organismo assimilar. Logo após a chegada a marina na Malásia, começamos a função de preparar o barco para sairmos. Planejamos substituir o banco de baterias por um novo, pois o que estava no barco vem apresentando problemas. A melhor opção de preço foi em Singapura, e resolvemos ir para lá com o Tutatis. Tivemos dias de trabalho duro costurando a genoa a mão, pois não encontramos um sailmaker na Malásia que pudesse fazer os reparos. No dia seguinte a nossa chegada, fomos nos encontrar com nosso amigo Marconi que esta morando e trabalhando em Singapura. Um belo churrasco nos aguardava com uma carinhosa acolhida em sua casa onde pudemos lembrar como era dormir numa cama em terra com todo o conforto. A viagem de Johor Bahru na Malásia até Singapura (marina One15) durou cerca de 8 horas navegadas entre centenas de navios que cruzavam nossa proa o tempo todo. A marina que optamos ficar foi a melhor de toda nossa viagem – graças a dica de nosso novo amigo Francis, vizinho na marina da Malásia. Mordomias por todo o lado, em instalações de primeiríssima qualidade, mas nem por isso cara como 99,9% das marinas de um “certo” lugar que conhecemos. A cidade é apaixonante sob todos os aspectos. Uma impressionante arquitetura que não para de se multiplicar em projetos de tecnologia, elegância e bom gosto impares. Incrível o que o imposto bem aplicado faz. Sentimo-nos seguros em andar pelas ruas a qualquer hora, pois a criminalidade beira o zero. Tudo funciona, e todos se respeitam e respeitam as leis principalmente. Claro que tudo baseia-se em leis bem feitas atreladas a penalidades pesadas e exemplares – para ter-se ideia, jogar lixo na rua a multa é de R$ 600,00, comer ou beber a bordo de transporte coletivo idem. Os metros são impecavelmente limpos. Somente duas coisas depõe contra Singapura (pelo meu prisma), o calor (e umidade) torna quase impossível o sono para quem não tem ar condicionado (nosso caso), e o consumismo exacerbado, motivado talvez pelo calor ( as pessoas se escondem nas centenas de belíssimos shopping centers e malls, que parecem dar cria sob a cidade), e pelo capitalismo que aqui mostra todo seu vigor. Igualmente o tempo passou rapidamente, entre trabalho no barco substituindo baterias, consertos e trocas de ventiladores, bombas hidráulicas e revisão do motor. Tudo pronto, nos demos conta de um detalhe importante – o visto australiano para Cocos Keeling, nosso destino a caminho da África. Para tornar curto um longo assunto, gastamos quatro idas e vindas ao consulado (leia-se, ônibus, taxi, metro) para finalmente após um funcionário graduado no consulado, um australiano de Brisbane, que é velejador também, conseguiu abreviar o tempo para a retirada do visto. Na pressa de voltarmos ao barco para os preparativos da saída, esquecemos os documentos do Tutatis na embaixada!!! Mais uma ida até lá, e novamente a saída adiada. Tudo vai dar certo no final. Nossos planos agora são zarpar amanhã cedo (após a minha volta da embaixada), com destino ao estreito entre Java e Sumatra, por onde retornaremos ao Indico. Dali seguiremos para Cocos Keeling, e depois para Mauritius antes da África.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Nongsa Point

A noite que antecedeu nossa chegada, foi literalmente em claro, pois ambos não conseguimos pregar os olhos, cuidando da quantidade absurda de barcos de pesca super-iluminados e centenas de navios que entravam e saiam dos portos da Malasia e Singapura. De manha entramos finalmente no canal que divide a Indonésia da Malasia. O AIS (transponder que nos auxilia na identificação dos navios e vice e versa), coitado, enlouqueceu! Simplesmente ele travou a tela do nosso plotter devido a quantidade de navios – eram mais de 500 ! A entrada no canal que nos levou a marina de Nongsa Point foi bem tranquila, e já na chegada um barco com dois funcionários da marina vieram nos receber e dar instruções de atracagem. A marina é de primeiro mundo e faz parte do complexo de um resort. Tivemos a disposição todas as mordomias possíveis durante nossa estadia. Aproveitamos os dias para deixar o barco em ordem apos a travessia e prepararmos para deixa-lo por um mês. De memorável em nossa ultima parada na Indonésia, tivemos pela primeira vez a presença de um clandestino a bordo – um camundongo! Viemos a saber no dia seguinte que o ratinho havia pulado de uma grande barco de mergulho, na agua e provavelmente nadado e subido no Tutatis. O “estrago” em nossa dispensa foi grande. Pacotes de açúcar, trigo, cereal e até uma garrafa de óleo foram abertas pelo roedor faminto. Sem falar no barulho que ele fez durante a noite nas explorações que fez pelo barco. Foi difícil mas conseguimos capturar o bichinho, que no final ficamos ate com pena. Ficamos três dias em Nongsa Point e zarpamos para Johor Bahru – Malasia, ultima escala antes de viajarmos ao Brasil. Os canais que nos levaram até nosso destino estavam bem congestionados com o vai e vem dos navios e fizemos vários desvios para evitar os tráfegos. Chegamos na marina Puteri Harbour, junto com a chuva que graças a Deus veio para amenizar o calor que nos castigou o dia todo. A marina é novinha – inaugurada no final do ano passado, e faz parte de um complexo imobiliário que estão implantando no local. Muito luxuosa e bem montada, porém com preços muito acessíveis. Pela primeira vez desde que deixamos o Brasil tivemos uma internet decente e melhor, de graça, sem falar nas outras mordomias que ela proporciona aos usuários. Neste final de semana deveremos deixar o Tutatis aqui e seguirmos para Singapura de ônibus e de lá voaremos para o Brasil. Estaremos “fora do mar” por algum tempo, mas prometo atualizar as fotos.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A caminho da Malasia

Dureza se desacostumar de uma ancoragem boa e a rotina perfeita que tivemos nestes últimos 20 dias.
Quem imagina que vida de velejador é moleza, deveria passar uma semana com a gente quando navegando, ou após uma longa navegada (consertos que nunca acabam).
Reclamações a parte, as últimas 48 horas não podemos nos queixar do vento e do mar.
Esta parte do mar de Java, é protegida de um lado pela continuidade das ilhas indonesias a oeste - Bali, Java, Sumatra e a leste por Kalimatan (antiga Bornéu), então o mar não cresce tanto - eu disse tanto, mas sempre tem um swellzinho pra chacoalhar.
Cruzamos o tempo todo com navios que vão e vem e também pelos barcos de pescadores que aparentemente "arrastam" camarão.
Aliás, o design dos barcos indonésios são uma obra de arte - não sei se funcionam bem, mas são exóticos e bonitos.
Estes que temos encotrado por aqui, se parecem com os sapatos de aladim (o da lampada), com pinturas super trabalhadas, um capricho.
Sempre ficamos "ligados" quando eles se aproximam, devido as estórias de piratas que lemos e ouvimos por estas bandas.
Mas até agora, apenas encontramos pescadores curiosos e ver um barco com design diferente do deles! :)
Mudamos nossos planos de parada em Bornéu e estamos seguindo para Pulau Batam, uma ilha indonesia que fica em frente a Singapura/Malasia, e segundo soubemos pode-se fazer a saida do país.
Deveremos chegar na marina de Nongsa Point daqui a quatro dias, uma rápida parada e mais um dia até nosso destino.
Incrivel, mas desde que deixamos a Australia - um mes atras, não pegamos um peixe sequer no anzol, que apenas aproveita para se banhar no Indico.
Acho que os indonesios estão acabando com a raça dos peixes por aqui.
Nossa posição : S 04 17 E 110 46

Z

sábado, 18 de junho de 2011

Deixando Gilis

Tivemos duas semanas ótimas em Gili Air.
Tudo ótimo, ancoragem perfeita, recarga dos cilindros em frente aonde estavamos, boa companhia (o casal do "Ariana" - John e Nancy que estavam na aconragem também e saimos juntos de vez em quando) e uma paz total na ilha.
A Sandra ja sabia até o nome dos gatos (centenas deles nas ilhas), num sinal que já era hora de zarparmos.
Os fatos determinantes foram a constatação que nosso banco de baterias vai ter que ser substituido, o gerador portátil pela enésima e última vez nos deixou na mão (hora de trocar também) e a aproximação do mes de julho, que devo ir ao Brasil.
Estudamos as possibilidades e chegamos a conclusão que Singapura/Malasia é a melhor opção para os tres itens.
Assim, ontem após o almoço levantamos ancora num daqueles dias que da dó sair do lugar - céu azul, mar calmo, agua limpa... ai ai..
Mas temos que nos mexer!
Serão quase 1000 milhas até Singapura, pelo mar de Java no Oceano Indico.
Deveremos fazer uma parada em Bornéu (ainda Indonesia) para fazermos a burocracia de clearance nossa e do barco.
A primeira noite, pra variar desacostumados com a dureza da madrugada, tivemos uma noite "daquelas" com vento forte, e mar grande entrando pela popa - uma onda lavou o cockpit, eu e a Sandra.
O dia amanheceu melhor, com vento fraco (10kt) e estamos numa velejada tranquila.
Nossa posição:
S 06 59 E 114 44

Z

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ainda em Bali

A semana em Bali passou rapidamente.
Fizemos varios passeios pela ilha - aventuras digamos assim, de bicicleta, de carro com motorista (guia) e de carro comigo ao volante.
Me refiro a aventura, pois Bali tem o transito mais caótico que já conheci.
Bali tem oficialmente 3,5 milhões de habitantes, fora os turistas que são despejados pelas centenas de voos diários vindos das mais diversas capitais mundiais. Difícil dizer com números oficiais, mas acredito que mais da metade da população tem pelo menos uma moto (senão duas, ditos por eles mesmos). Quem não tem moto, tem carro, e quem não tem nenhum nem outro, anda pelas ruas - pelas ruas mesmo, pois calçada é coisa que não existe por aqui.
Da pra imaginar a confusão!
Mais incrivel é que não vimos um acidente sequer!
Acho que Buda, Alah e papai do céu fazem plantão alternado para cuidar das almas de Bali.
O fato é que nós ocidentais e principalmente a gente que esta meio bem bicho do mar, ficamos arrepiados com tanta confusão, barulho e imprudencia.
Tirando isso, pudemos curtir um pouco da cultura totalmente diferente que estamos acostumados, assim como ver belas paisagens que ainda restam nesse pedaço de paraíso castigado pela mão do homem.
Decidimos sair um pouco do ambiente da marina e fomos em busca de lugares menos habitados e aguas mais limpas para que pudesse finalmente mergulhar e inspecionar a rabeta * (no final eu conto oque suspeito tenha sido a vibração que nos acompanhou parte da travessia Australia-Bali.
Deixamos a marina com os tanques de diesel cheios (alias diesel bem caro, pois a marina espertamente contrata um barco abastecedor e cobra 50% mais caro por isso), e os tanques de agua potavel cheios de agua mineral ! (que é barata, e é a única opção alias). Nosso destino, as ilhas de Gili, ao norte de Lambok- ilha vizinha a Bali.
Subimos a costa de Bali rumo norte, evitando a forte correnteza que nesta época do ano flue de norte para sul.
Pudemos ver as paisagens da costa balinesa de perto, onde se destavavam as praias de areia escura (vulcanica), da exuberancia das cores das matas e do céu e da silhueta dos vulcões que compõe a paisagem.
Como haviamos saido um pouco tarde da Marina, achamos melhor pernoitar numa enseada da costa norte de Bali, onde pude mergulhar finalmente para verificar a ancora e checar o fundo do barco.
Oque vi foram marcas bem fortes de que algo (rede ou pedaço de rede ou um cabo grosso) que se engatara na bolina/hélice do Tutatis.
Dai a vibração.
Durante a travessia eu tentei verificarpor fora se havia algum pedaço de detrito sendo arrastado, mas nada constatei.
Provavelmente oque se engatou era curto, mas com tamanho sufuciente para desbalancear o giro do hélice.
A noite foi meio bem agitada, pois o swell nos castigou fazendo o barco parecer que navegava.
Dia seguinte cedo, levantamos ancora e prosseguimos nossa viagem.
Chegamos a Gili Trewangan por volta de 13:00hs, e nos amarramos a uma bóia - não da pra ancorar nessas ilhas, pois alem de fundo, a variação das marés faz a correnteza chegar aos 4/5 kt, tornando a ancoragem perigosa (o fundo é de rocha coberta de corais).
As ilhas Gili, tem "astral" bem destintos.
A primeira que chegamos é bem agitada, cheia de hoteis e pousadas e varias dezenas de restaurantes, com muita gente jovem e barulho até de madrugada. Na rua oferecem todo tipo de droga( discretamente) e o comércio de cogumelos alucinogenos é livre.
Em algumas casas tem outdoors com os dizeres "tickets to de moon" e os cogumelos ilutrando o poster.
Diferenças culturais...
A segunda - Gili Meno, é quase despovoada, apenas com um ou dois pequenos hotéis e alguns habitantes e a terceira, Gili Air, foi a que mais nos indentificamos. Parece que é uma Gili Trawangan de antigamente, de vinte ou trinta anos atras.
Bem calma, com hoteis e pousadas, assim como restaurantes, porem sem agito e o tipo de turista, mais alternativo e com mais idade, que busca sossego e reflexão.
A ancoragem é a melhor que ja tivemos na Indonésia, pois fica no meio de corais dos dois lados e pelo lado do fundo a ilha, então é muito calma e para completar a noite vem o vento das montanhas de Lambok que descem bem geladinho e deixam o barco bem fresquinho para dormirmos.
A semana passou rapidamente também, entre mergulhos e caminhadas.
Agora estamos decidindo que caminho tomamos, para dar continuidade a nossa viagem.

Z