terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ancorados em Cocos Keeling

Desculpem a "bagunça" das postagens, pois eu reenviei todas que ja havia enviado, pois fui alertado pela minha irmazinha que as mesmas não estavam sendo publicadas. Por alguma razão o blog se desconfigurou.
Bem.. Chegamos finalmente a Cocos Keeling, depois de uma navegada bastante desconfortavel, completada pela pane de motor que tivemos dois dias antes da chegada.
A valvula do sifão da agua de refrigeração do motor se rompeu, permitindo que a agua do mar retornasse pelo escape até os cilindros, inundando-os. Descobri da pior maneira - quando tentei ligar o motor!
Pra completar devido ao "travamento" do motor, o fusivel de alimentação do arranque "torrou".
Reduzi pano ao máximo no último dia para reduzir velocidade a fim de chegarmos ao amanhecer de domingo e não na noite de sábado como previsto.
Entramos no atol a vela e depois de muito bordo, conseguimos chegar a ancoragem graças a indicação do pessoal do customs australiano que nos ajudou.
Depois de jogar a ancora, trabalhei no motor o dia todo, mas fui recompesado no final do dia.
Efetivamente Yanmar é um grande motor!
Funcionou como se nada tivesse acontecido após eu retirar a agua via bicos injetores.
Agradeço tambem as dicas do Marcelo da Agromar de Itajai, que é quem sempre incomodo quando em apuros.
O fusivel improvisei um "tabajara" com filamentos de cabos de cobre.
A válvula do sifão, ideal seria uma nova, mas aqui onde estamos só tem agua de coco e coqueiro, então fiz um reparo com superbond, algumas braçadeiras de nylon e mastique de silicone (espero que funcione até Mauritius).
Dia seguinte pudemos ver a beleza do lugar onde estamos que lembra muito Suwarow, em Cook Island.
Fomos presenteados com um show de um cardume de golfinhos que veio nos visitar. Pude nadar com eles e ver quão belos são esses mamiferos de perto. Nem se incomodaram com minha presença entre eles, e passavam por mim se virando e olhando diretamente nos meus olhos... emocionante!
Hoje acordamos bem cedo e fomos até as duas vilas do atol, para reconhecimento de terreno e reabastecimento de agua que nos disponibilizam no pier (agua da chuva coletada).
Fomos de ferry até a outra extremidade do atol, onde se concentram mais os australianos e onde fica o aeroporto e algumas pousadas, assim como o supermercado que vamos nos reabastecer.
O tempo não esta muito bom e estamos prevendo sair daqui no final da semana quando segundo a previsão, as coisas vão melhorar.
Daqui, seguiremos para Rodriguez (arquipelado de Mauritius).

Z

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Adeus Indonesia

Acordei cedo hoje (quarta feira), pensando na rota, nos detalhes da saida, ancora que provavelmente estaria agarrada nas pedras, barcos de pescadores que resolveram ancorar a noite perto da gente, enfim uma longa noite.
Como previsto pelo grib, o vento deu uma acalmada, e o dia amanheceu lindo, com por de lua e nascer radiante de sol.
Os pescadores sairam cedo e a ancora soltou sem problemas.
Preparamos o Tuta para uma operação de guerra, pois na ultima etapa com o vento e o mar de lado, constatamos uma quantidade enorme de infiltrações e goteiras que "carimbaram" livros, travesseiros e colchões. Envolvemos a maioria de nossas coisas em plasticos, e removemos os colções do quarto de proa. Durante os dias que estivemos ancorados, reapliquei sika flex em diversos pontos na expectativa de parar as infiltrações... vamos ver.
Ja estamos navegando em mar aberto até que enfim, numa velocidade de 8 kt (devido o vento e a correnteza que nos empurra na saida do estreito de Sunda (espero que nos abençoando e não nos expulsando!)
O mar por enquanto esta suportavel.
Estamos estimando chegar em Cocos Keeling no domingo de tarde, e a previsão de tempo na rota é boa.
Tudo bem a bordo.

Z

Posição : S 06 46 E 105 09

domingo, 11 de setembro de 2011

Ainda ancorados em Java...

Sorte termos encontrado esta ancoragem.
Não existe alma viva num raio de 10 km pelo menos e somos os únicos seres humanos por aqui.
Uma sensação de paz e ao mesmo tempo de alerta, pois existem histórias de pirataria por aqui também.
Escondida do vento (um pouco) e do swell, pudemos descançar bastante, apesar do ruido constante do assobio do vento nos estais.
Não nos animamos a enfrentar o mar de 4 metros e ventos de 25/30 kt - ambos na lateral por 600 milhas (distancia daqui a Cocos) e resolvemos ficar por aqui ajeitando o barco e pondo em dia diarios, computadores e nossas leituras.
Ontem teve até seção de filme.
O "grib" mostra uma condição melhor a partir de quarta feira, quando pretendemos sair.

Z

Java

A noite foi "daquelas", o barco balançou muito ( hoje com experiencia de pai e avo, não entendo como os bebês conseguem dormir com as pessoas os balançando sem parar - deveria ser proibida tal prática !)
Levantamos cedo e ja saimos em busca de combustivel, agua e comida.
Dentro de uma pequena enseada onde os ferry boats manobram, uma pequena lancha local nos guiou até um local onde pudemos ancorar. Os garotos da lancha nos ajudaram em comprar agua e disel, e no dia sguinte fomos de taxi até um supermercado numa vila próxima.
Aprontamos o barco e dia seguinte (ontem) resolvemos ir mais ao sul, já na saida do estreito (umas 60 milhas).
O inicio da navegada foi tranquilo, mas na segunda hora o vento já começou a mostrar a sua cara.
Chegamos a quase 9 kt, e o vento entrando a 25/30 kt numa orça apertada. As ondas começaram a entrar mais fortes e várias passaram por cima da gente.
Incrível a força do mar por aqui, pois ainda estavamos dentro do estreito num lugar protegido - fico imaginando como esta la fora.
Tivemos que fazer um bordo para chegarmos ao ancoradouro, o que nos custou atraso na chegada.
E la fomos novamente ancorar a noite - ainda bem que a lua estava quase cheia e bem brilhante o que tornou mais fácil nossa chegada.
Apesar do vento fortissimo (25/30kt), a ancora agarrou bem e tivemos uma noite tranquila.
Resolvemos descançar hoje (domingo), aguardando que o mar diminua um pouco antes de seguirmos viagem.
Provavelmente amanha cedo zarparemos para Cocos.
Nossa posição: S 06 44 435 E 105 14 777

Z

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Extreito de Sunda - Java

Depois de quase uma semana de uma indigesta navegada, chegamos pra variar a noite em Java, já no estreito entre ela e Sumatra, vizinha ao extinto "Krakatoa" que alias esta submerso.
Sempre conseguimos nos sair bem em nossas chegadas noturnas em nossas viagens, mas ontem não era nosso dia.
Também não da pra exigir muito da Indonesia, onde as cartas nauticas são inconfiáveis, as sinalizações são péssimas e a infraestrutura para veleiros são muito ruins.
O que vimos em nossa chegada, foi uma cidade (parte oeste de Java), próxima a Jakarta, onde provavelmente é a area industrial, que deixa Cubatão em São Paulo, com complexo de inferioridade, tamanha a quantidade de refinarias, industrias e chaminés que despejam toneladas de fumaça quimica na atmosfera.
O cheiro é terrivel e a visibilidade ao nos aproximarmos da ilha, é péssima - um fog denso.
Acabamos perdendo horas em busca de um local para ancorarmos, pois as marinas comentadas em um manual que encontramos simplesmente não existem.
Durante nosso vai e vem contra uma correnteza de 3kt no estreito, acabamos ficando sem combustivel ( tinhamos mais sessenta litros em bombonas ), e tivemos que ancorar a 40 metros para poder fazer o reabastecimento.
Encurtando, o motor da ancora nos pregou uma peça, e fora o banho de diesel, conseguimos "desatolar" tres horas depois.
Resultado, conseguimos ancorar num lugar bem ruim por volta de tres da manha.
Hoje iremos nos situar e tentar o reabastecimento e provisionamento do barco.
Nossa intenção é sairmos o quanto antes em direção a Cocos Keeling.

Z

terça-feira, 6 de setembro de 2011

De volta ao Indico - Singapura - Estreito de Sunda

Estamos no sexto dia da travessia e deveremos chegar amanhã, onde esperamos encontrar uma marina na ilha de Java para podermos reabastecer o barco de comida e diesel.
A viagem vem sendo muito ruim, pois estamos navegando no contravento, na contra-maré, contra tudo!
Nossa média vem sendo irritantes 3,5 kt de velocidade com a singradura não passando de 85 milhas/dia, ainda graças a ajuda do motor.
Tudo bem a bordo, apenas não pudemos escrever antes por absoluta falta de propagação do radio para podermos enviar nossos emails.
Nossa posição, S 3 46, E 106 20

Z

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Estada no Brasil

Deixamos o Tutatis “descansando” na marina e fomos ao Brasil via aérea. Antes de embarcarmos, resolvemos ficar uns dias em Singapura para podermos conhecer um pouco a cidade e nos habituarmos com a civilização novamente. A viagem ao Brasil foi cansativa, durando cerca de 48 horas entre taxi, ônibus, trem, avião e aeroporto. Tudo foi compensado pela alegria de dividir a felicidade com minha filha que se casou, e rever toda família que tanto falta nos faz. O tempo passou rápido mesmo com o atraso da volta devido a alguns probleminhas de saúde. A volta foi menos “dolorida”, pois o deslocamento para leste é mais fácil do organismo assimilar. Logo após a chegada a marina na Malásia, começamos a função de preparar o barco para sairmos. Planejamos substituir o banco de baterias por um novo, pois o que estava no barco vem apresentando problemas. A melhor opção de preço foi em Singapura, e resolvemos ir para lá com o Tutatis. Tivemos dias de trabalho duro costurando a genoa a mão, pois não encontramos um sailmaker na Malásia que pudesse fazer os reparos. No dia seguinte a nossa chegada, fomos nos encontrar com nosso amigo Marconi que esta morando e trabalhando em Singapura. Um belo churrasco nos aguardava com uma carinhosa acolhida em sua casa onde pudemos lembrar como era dormir numa cama em terra com todo o conforto. A viagem de Johor Bahru na Malásia até Singapura (marina One15) durou cerca de 8 horas navegadas entre centenas de navios que cruzavam nossa proa o tempo todo. A marina que optamos ficar foi a melhor de toda nossa viagem – graças a dica de nosso novo amigo Francis, vizinho na marina da Malásia. Mordomias por todo o lado, em instalações de primeiríssima qualidade, mas nem por isso cara como 99,9% das marinas de um “certo” lugar que conhecemos. A cidade é apaixonante sob todos os aspectos. Uma impressionante arquitetura que não para de se multiplicar em projetos de tecnologia, elegância e bom gosto impares. Incrível o que o imposto bem aplicado faz. Sentimo-nos seguros em andar pelas ruas a qualquer hora, pois a criminalidade beira o zero. Tudo funciona, e todos se respeitam e respeitam as leis principalmente. Claro que tudo baseia-se em leis bem feitas atreladas a penalidades pesadas e exemplares – para ter-se ideia, jogar lixo na rua a multa é de R$ 600,00, comer ou beber a bordo de transporte coletivo idem. Os metros são impecavelmente limpos. Somente duas coisas depõe contra Singapura (pelo meu prisma), o calor (e umidade) torna quase impossível o sono para quem não tem ar condicionado (nosso caso), e o consumismo exacerbado, motivado talvez pelo calor ( as pessoas se escondem nas centenas de belíssimos shopping centers e malls, que parecem dar cria sob a cidade), e pelo capitalismo que aqui mostra todo seu vigor. Igualmente o tempo passou rapidamente, entre trabalho no barco substituindo baterias, consertos e trocas de ventiladores, bombas hidráulicas e revisão do motor. Tudo pronto, nos demos conta de um detalhe importante – o visto australiano para Cocos Keeling, nosso destino a caminho da África. Para tornar curto um longo assunto, gastamos quatro idas e vindas ao consulado (leia-se, ônibus, taxi, metro) para finalmente após um funcionário graduado no consulado, um australiano de Brisbane, que é velejador também, conseguiu abreviar o tempo para a retirada do visto. Na pressa de voltarmos ao barco para os preparativos da saída, esquecemos os documentos do Tutatis na embaixada!!! Mais uma ida até lá, e novamente a saída adiada. Tudo vai dar certo no final. Nossos planos agora são zarpar amanhã cedo (após a minha volta da embaixada), com destino ao estreito entre Java e Sumatra, por onde retornaremos ao Indico. Dali seguiremos para Cocos Keeling, e depois para Mauritius antes da África.