quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Durban – East London


Durban acabou ficando com a cara dos novos amigos que fizemos – Fred e Cris.
O acaso nos fez parar o Tutatis quase em frente ao novo “Estrela do Mar”, o novo catamaran do casal. Fomos “adotados” pelo Fred que nos paparicou a ponto de ficarmos bem acostumados.
Pudemos conhecer a cidade, seus bairros mais importantes, os pontos turísticos e em especial uma bela mostra da culinária, pois quase todos os dias éramos convidados para jantar em lugares exóticos. Por intermédio deles também, conhecemos e fizemos amizade com o skiper que esta treinando o Fred no novo barco – o Vince, figura querida, que tanto nos ajudou e tem nos ajudado no planejamento da descida dessa intrincada costa africana.
A marina em si, não seria nada demais, exceto o tratamento simpático e generoso do iate clube Point Marina, que nos permitiu usar as dependências do clube por duas semanas de graça (igual a alguns iates clubes que conhecemos em nossa terra). Fora isso, o comodoro do iate clube – Bob Fraizer, foi a nosso barco pessoalmente e nos convidou para um drink de boas vindas, onde pudemos conhecer outros velejadores que estavam na marina também.
Tive frustrado meu objetivo de tirar o Tutatis fora da água para pintura de fundo e inspeção do leme, pois o serviço de remoção é prestado por terceirizados, e este estava com as duas carretas ocupadas e sem previsão de ficarem livres.
Não pretendíamos deixar o barco em Durban para encontrar minha filha Flavia e o Tato que vem passar o natal conosco, e assim, resolvemos zarpar na primeira boa janela.
Esperamos quase uma semana, estudando diariamente as cartas sinóticas e grib, até que surgiu a dita cuja, porem mais curta que eu gostaria.
A noite que antecedeu nossa saída não dormi quase nada,e levantei cedo para novamente confirmar as informações das previsões.
Tudo certo, barco pronto, zarpamos olhando para trás, com saudades dos amigos que deixamos.
Motoramos as primeiras horas, como planejado, pois saímos na cauda da ultima frente que havia passado. Meu plano era motorar até umas 5 milhas fora da costa, onde provavelmente encontraríamos a corrente das agulhas.
Que corrente que nada... acabamos tendo que velejar orçando ( com vento de frente ), por um bom tempo, até que finalmente o vento virou para a popa, o mar claro.. cresceu, e encontramos a corrente. Resultado, andamos numa média de 10 kt, com velas risadas.
O mar bem desconfortável, com ondas entrando pela popa, lavando o convés. Velejamos o dia todo da saída, a noite e mais o dia seguinte, e devo ter dormido 2 horas nesse período, se muito.
Batedeira... Chegamos em East London 22:30, já com o vento virando para nossa proa novamente, devido a nova frente fria que estava de passagem... entramos no porto bem sinalizado e atracamos o Tutatis no bordo de um Catamaran local que o Vince tinha deixado acertado.
Arrumamos o barco da bagunça da travessia e desmaiamos na cama... lá fora o vento e a chuva nos lembravam do que escapamos.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Richard's Bay - Durban

Nossa estadia em Richard's Bay foi bem aproveitada.
Nos primeiros dias pedalamos bastante a fim de conhecer os arredores da Marina e da cidade, abastecermos a geladeira e reservarmos um carro para nossos safaris pelos parques próximos.
Aproveitamos as dicas de nosso amigo Thomas, e traçamos um roteiro que foi bem interessante.
Pudemos conhecer os parques de Santa Lucia, Imfolozi e Hluhluwe.
Muitas fotos, muitos animais - todos super saudáveis, bem diferente dos animais que vemos em zoos.
Choveu muito durante nossa permanência em RB resultado do inicio da nova estação que se aproxima.
Chegou a hora de prosseguirmos e aproveitamos a primeira janela que surgiu.
De Richard's Bay até Durban são 90 milhas.
Rumamos para fora da barra, 90 graus com a linha da costa, a fim de pegarmos uma carona  na corrente das agulhas.
Foi uma das melhores velejadas que tivemos em toda a viagem, com mar calmo, vento constante na aleta de 14 kt, e nossa velocidade em torno de 8 até 9 kt.
Chegamos em Durban meia noite e encontramos uma vaga bem na entrada da Marina.
De manha entrou nova frente, com vento forte e chuva.
Nosso objetivo da parada em Durban é para o conserto do leme e deixarmos o equipamento fotográfico na autorizada da Canon, que patrocinara a limpeza e revisão das lentes e máquinas.
De Durban seguiremos para East London, depois Port Elisabeth antes de chegarmos a Cape Town.

Z

sábado, 12 de novembro de 2011

Africa - Terra a vista

Estavamos tensos com tanta estória que lemos e ouvimos desta travessia e em especial o cruzamento da corrente das agulhas.
Adotamos navegar numa proa mais ao norte do nosso destino, no intuito de ganharmos distãncia para quando o vento Norte entrasse, a gente pudesse ter margem para navegar para o destino. Isso ajudaria tambem para compensar o angulo de deriva quando cruzassemos as agulhas.
A noite foi exatamente como prevista, com vento forte e mar agitado.
Por volta de 4 horas da manhã, ainda noite pudemos avistar a silhueta de terra no horizonte, depois de onze dias só vendo água.
Nossa estratégia deu 100% certa, pois chegamos exatamente no momento que o tempo em Richards Bay estava virando.
Foi entrarmos no canal da cidade e o vento virou.
Esta foi uma das melhores travessias que fizemos, não fosse a tensão provocada pelas estórias e os fatos que foram acontecendo no decorrer da viagem.
Aportamos na marina em Richards Bay por volta de 9:30 da manha horario local.
Agora a trabalheira para deixar o barco habitavel, pois muita agua salgada entrou pelas excelente vedação feita pelo estaleiro que fabricou o pobre Tutatis.
A partir de amanha começaremos a lidar com nosso planejamento de como iremos aproveitar nossa estadia em solo africano.

Tudo bem a bordo ! :)

Z

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Décimo dia

Optamos por continuar e acelerar o que desse, pois a previsão para a semana que inicia é pior que a do final de semana.
Assim, motoramos a noite toda tentando manter a média.
Claro que Murphy sempre ao nosso lado nos momentos difícies não nos abandonaria... O vento acabou totalmente e pra "ajudar" uma correnteza de 1,5 kt contra a gente.
E foi assim até de hoje de manhã, quando entrou um ventinho e a correnteza parou.
Um amanhacer meio sinistro, muita umidade la fora, e uma nevoa que restringe nossa visibilidade.
A pressão do barometro ainda esta estável e estamos de olho nela.
Mantendo nossa presente média de velocidade, amanhã perto do meio dia chegaremos, com previsão de vento de 30 kt ou mais, mas vindos do Norte (o lado menos ruim).
Estamos mantendo contato radio VHF com os barcos que estão bem próximos a nós, especialmente o Pomona com quem trocamos informações de meteorologia.
Vamos chegar em torno de 4 barcos na mesma hora.
Me preocupa o pessoal que esta vindo atras.
Hoje cedo aproveitei a acalmada no mar para transferir diesel das bombonas plasticas para o tanque, pois ja estava me preocupando tanta motoração - agora estamos tranquilos com relação a combustível.
Agora é esperar.

Nossa posição em 11/11 as 05:00 UTC - 28 18 S / 35 24 E - completamos 1222 milhas, 177 milhas para chegarmos.

Tudo bem a bordo.

Z

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Nono Dia

Ontem foi uma bela velejada, com ventos constantes e mar razoável.
Pra melhorar um pouco, fisgamos um Mahi Mahi que nos alimentara por cinco dias.
O bloco de barcos que saiu de Reunião com destino a Richards Bay, totaliza 17 barcos (que de alguma forma tivemos contato).
Alguns, um dia ou dois a nossa frente, outros da mesma forma um dia ou dois atras.
Em nossa volta bem próximos, um catamaran frances "Jangada", e dois Noruegueses "Imagine" e "Pomona".
Deveremos chegar no mesmo dia - Sábado provavelmente, mas tudo dependendo do tempo que esta se confirmando ira piorar.
Existe uma área de baixa pressão no continente entre Durban e Richards Bay e isto agita a atmosfera provocando ventos fortes.
Temos que lidar com a corrente das agulhas (correnteza que sempre foi temida pelos navegadores desde os chineses na antiguidade, e dominada pelos portugueses que a estudaram e a nomearam). A corrente das agulhas é uma movimentação do oceano no sentido norte/sul numa faixa estreita de agua formando um clindro gigante na faixa dos 200 metros de profundidade, próximos a costa africana. A tal correnteza atinge até 6 kt em alguns meses do ano.
O grande problema é cruza-la quando o vento sopra do quadrante SW, o que significa contra a correnteza.
Tal fato faz as ondulação que ja existe normalmente no Indico, crescer e crescer muito.
Sem mencionar numeros, nossa intenção é monitorar a direção do vento de forma a cruzarmos a corrente quando o vento estiver soprando de N NE, a favor dela.
Caso não haja essa condição vamos ter que aguardar "parando" o barco em mar aberto até que as coisas melhorem.
Por isso é dificil precisar a hora da chegada.
Os Vikings no Exabyte ja nos deixaram na poeira e estão 100 milhas a nossa frente, pra variar - eles são muito bons mesmo, e tem um barco feito pra velocidade.
A gente troca email todo dia para atualizarmos nossas posições e condição de navegação.
Agora cedo, entrou um vento mais forte que não estava previsto, o que nos obrigou a reduzir as velas, pois o barco sofre muito e nós mais...

Nossa posição em 10/11 as 08:00 UTC 28 04 S / 037 36 E

Tudo bem a bordo.

Z

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Oitavo dia

Ontem foi um dia de motor-sailing.
A "gorda" (genneker) foi testada o dia todo, mas com a ajuda do motor, pois o vento estava fraco.
No final da tarde, após a baixarmos, aproveitei para dar um bordo para NW, na expectativa de aproveitarmos o vento previsto para mais tarde no grib.
Menos de uma hora depois, o vento entrou de fato, e velejamos até agora de manha a 6/7 kt num mar calmo!
A noite não poderia ter sido melhor, com direito a lua cheia e tudo.
Nossas iscas tomaram banho o dia todo, mas sem nada de peixe.
Vamos ver como sera hoje.
A previsão meteorológica não é boa para o fim de semana, principalmente no dia previsto de nossa chegada (Sabado).
Em função disso, provavelmente iremos diminuir nossa velocidade para deixarmos as "coisas" melhorarem no nosso destino.
Com isso, provavelmente chegaremos em Richars Bay no Domingo.

Nossa posição em 9/11 as 04:45 UTC S 27 47 / E 040 56

Tudo bem a bordo.

Z

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Primeira semana

Ontem a tarde passamos a metade do caminho.
Depois da chuva e trovoada que tivemos ontem, finalmente o vento entrou.
Tímido, mas logo aumentou e soprou até a noite entre 15 a 22 kt. Fizemos um bom avanço velejando até a madrugada quando vento se foi e tivemos que motorar desde então até agora.
O tempo esta ótimo, com céu azul, mar calmo mas sem nada de vento.
Subimos a Genneker, mais para checar como ficou o conserto dela em Bali, pois ela havia se rasgado inteira.
Ficou ótima, apenas aguardando o vento para podermos desligar o motor.
Joguei as linhas de pesca na agua, pois nosso estoque de peixe terminou, vamos ver se pescamos algo.

Nossa posição em 08/11 as 06:15 UTC - S 27 54 / E

Tudo bem a bordo

Z