quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Restam 2370 km...

Temos um amigo que mora em Perth - Australia, o Lauri, que tem nos ajudado muito com a meteorologia.
Ele mesmo brincou com a gente que estava a "bordo" conosco.
Fica aqui o registro de nosso agradecimento a ele pelas preciosas informações que nos passa.
Informações essas que nesta área são bem difíceis de conseguir, pois o Brasil é um dos poucos países que não existe um radio amador que faça parte da rede winlink, e somos obrigados a recorrer a estação da África ou das Canárias. A primeira não prima pelo bom serviço e a segunda, um tanto distante e congestionada.
Assim, temos tido muita dificuldade em "baixar" cartas sinóticas e até mesmo acessar nossos emails.
Temos recorrido uma vez por dia ao Iridium (telefone satelital), mas temos que economizar, pois nos restam poucos créditos do sistema pré-pago, que não há como renova-lo navegando.
Mas vida de cruzeirista é esta mesmo - gerenciar os recursos o tempo todo!
Agua, energia, diesel, comida e até comunicação.
Mas no final tem dado certo - privações a parte.
Vou aproveitar para deixar um recado aqui no blog, ao pessoal da marina porto do sol, pois não consegui resposta a meus emails - provavelmente bloqueio do servidor. Pediria que entrassem em contato com minha familia informando qual melhor data para nossa chegada e tambem os waypoints do canal, pois os que tinha de tres anos atras foram perdidos por pane em nosso sistema, e imagino que o canal deva ter mudado em tres anos, desde nossa saida.
Nossa rotina continua, tempo bom de dia, muito sol e bons ventos, mas a noite, chuvas, rajadas e um pouco de desconforto.
Nada é perfeito.
Nada de peixe - apenas uma de nossas linhas foi levada com isca, anzol e tudo o mais.
Não da pra escolher o tamanho do ser que come nossas iscas, e este deveria ser grande.
Hoje a tarde estaremos completando metade do caminho até nossa casa.
Nossa posição em 15/02/2012 as 11:35 UTC 22 05 S / 025 33 W

Tudo bem a bordo.

Z

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Restam 2800 km

O comportamento do clima continua muito parecido. Tardes e noites tranquilas , manhãs e madrugas agitadas.
Já estamos sentindo calor para dormir dentro do barco e para os turnos já despensamos uma das camadas de agasalho que geralmente usamos. Eu adoro esse calorzinho novamente...
Nada de peixe!! Incrível, acho que a natureza se revoltou com minha bronca com os atuns. Nossas frutas frescas ainda estão bem preservadas embaladas em papel de alumínio. Ótima dica para quem não tem geladeira à bordo.
Manteiga e queijo acabando e com MUITA resistência vou abrindo algumas latinhas que tanto condeno, mas dessa vez tenho que admitir que os conservantes nessa hora tem o seu valor!

Estamos bem, moral alta, mais de um terço do caminho já percorremos.

Nossa posição dia 13/02/2012 as 11:00 20 49 S / 020 38 W

Sandra

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Restam 3410 km

Nada de novo.
A não ser o comportamento do tempo nessa área.
Do final da manhã até o meio da noite, ventos ótimos, mar tranquilo e boa velejada ... mas no início da magrugada, sempre uma ou outro cumulo super-desenvolvido desagua em cima da gente, e o vento acelera.
O mar fica revolto e nossa tranquilidade vai embora.
De manhã, o dia amanhece meio nublado e vai limpando e tudo se repete.
Nenhum barco, nenhum navio, nenhum peixe.
Nada exceto um avião que passou sob nós, provavelmente de Angola para o Brasil.
Estamos nos virando sem geladeira, e a chef Sandra tem feito seus quitutes com muita criatividade.
Hoje passamos a marca de 25% do trajeto... uma boa média, mas certamente ao nos aproximarmos da costa ira baixar.
Temos aproveitado pra botar a leitura em dia, talvez hoje role seção de cinema :)

Nossa posição dia 11/10/2012 as 18:00 19 31 S / 016 04 W

Tudo bem a bordo

Z

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Restam 4020 km

Quinhentos quilometros ja foram percorridos!
Nossas postagens daqui até a chegada, serão a cada dois dias e o titulo sera sempre a kilometragem restante.
Muito bom navegar no Atlântico Sul, nessa área.
Não que o mar e o vento sejam sempre dóceis e confortáveis - ontem e hoje não estão sendo por exemplo, mas a grande diferença dos outros mares que navegamos, sempre há a preocupação constante com as perturbações meteorológicas, ventos fortíssimos (gales), swell enorme, frentes e tormentas que surgem do nada.
Aqui quase tudo é previsível, e nossa preocupação é apenas o ajuste de velas para termos mais conforto a bordo.
Ontem com o restinho de gelo que apanhamos na saida, ainda pudemos saborear agua, suco e leite gelados, porém hoje de manhã, tivemos que jogar fora toda agua dos recipientes onde estavam o gelo que derreteu.
Agora a realidade.
Ontem também, primeiro dia de comida enlatada - mini-camarões, que foram super bem preparados pela Sandra, num risoto.
Nada de peixe até agora - as linhas estão na agua desde a nossa saída.
Como não temos nenhum tipo de carne fresca, o jeito é apelar para as latas e rezar para fisgarmos algum peixe.
Os dias tem sido ótimos, cada por de sol mais bonito que o outro, e o nascer da lua cheia nestes dias, um show a parte.
O vento não para... apenas aumenta ou diminui, empurrando-nos para a costa do Brasil.
Ontem a noite uma pequena ave pegou carona com a gente por algum tempo, coitada, cansada de bater asas (a ilha mais próxima é Santa Helena - 500 kilometros).
Nossa posição em 9/02/2012 as 12:45 UTC 17 40 S / 010 35 W

Tudo bem a bordo.

Z

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Santa Helena - Rumo de casa

Exatamente 7 dias foi o tempo entre nossa chegada e nossa saída desta ilha perdida no meio do Oceano Atlântico, claro a maior parte do tempo gasta em trabalho de reparações e preparo do Tutatis para a última etapa da viagem.
Tentei de todas as formas trazer a vida a geladeira, que tanta bateria comeu nesses anos de viagem, mas foi impossível. O design do sistema, as dificuldades em encontrar componentes eletrônicos, e a burocracia sistemática do departamento de vendas ou atendimento ao cliente do fabricante em Joinville, culminaram com nosso insucesso em fazê-la funcionar novamente a despeito do esforço de nosso novo amigo Colin - técnico em eletrônica da ilha, que não mediu esforços em nos ajudar.
Agora a realidade é encarar essas 3 ou 4 semanas de travessia sem o conforto e a praticidade de alimentos frescos.
Interessante a dependência que criamos dum equipamento tão discreto como este em nossas vidas. Um bom exercício para quem nos acompanha no blog é ir ao supermercado para provisionar suas casas, e imaginar que quando escolherem os produtos para colocar no carrinho de compras, devem levar em conta que não há geladeira para guardá-los. Vão ver como as opções diminuem, e a vida fica difícil.
Tirando as dificuldades de lado, a permanência da ilha, foi uma grata surpresa.
Incrível como uma comunidade de 5000 habitantes espalhados por 120 km2, se organizam e vivem em harmonia uns com os outros. Acolhem nós turistas de forma simpática e respeitosa, fazendo-nos sentir em casa. Impossível não notar a forma como se relacionam. Todos se conhecem, se cumprimentam sempre. A prestatividade é notável.
A ilha em sua periferia é Arida, fruto da agressividade dos ventos e a maresia que castiga a costa dia e noite. Fora isso a formação vulcânica da ilha, em constante erosão, torna a costa morta.
No entanto quando excursionamos ilha a dentro (alugamos um carro para isso), nossos olhos se surpreendem com a generosidade do verde das matas e dos gramados naturais. Percorrer as estradas sinuosas e estreitas é algo emocionante, pelo eminente perigo de um encontro com outro carro em sentido contrario. Porém tudo isto é compensado com o magnífico visual dos contornos da topografia dobrada, com o fundo azul em degrade do mar.
Conhecemos um hotel fazenda e pudemos desfrutar de um almoço na varanda observado o belo visual das bem cuidadas instalações centenárias. Dentro do casarão, relíquias de móveis que foram utilizados por Napoleão Bonaparte. O proprietário foi quem nos atendeu e ele mesmo preparou e serviu nossa refeição - um britânico que cansou de trabalhar a bordo de navios como chefe de comissários ( educadíssimo por sinal).
Tivemos a oportunidade de conhecer as casas onde Napoleão ficou hospedado (exilado), e o túmulo onde ele foi enterrado. Tudo (bem) mantido pelo governo Frances.
A vila principal da ilha é JamesTown, que fica incrustada num vale entre duas grandes montanhas e exprimida pelo mar.
Muitas histórias da ilhas, muita gente importante la esteve como: Darwin, Cook, Napoleão, Princesa Ane e mais uma infinidade de nomes.
Mais história da ilha, melhor pesquisar na web, que certamente não cometera equívocos que posso estar cometendo escrevendo enquanto navegamos rumo ao Brasil.
Dia 7/02 as 11:30 UTC, levantamos nossa ancora de Santa Helena, e bem de vagar passamos ao lado de nossos amigos que la ficaram: O Pacha Mama (Top To Top), O Nephente, O Little coconut...
Um clima de melancolia e tristeza da despedida de nossa ultima ilha e nossos amigos que continuam suas viagens se confundiu com a alegria de estarmos rumando ao encontro de nossas famílias.
Subimos nossas velas e motoramos por quase uma hora, saindo fora do efeito que vento faz a sotavento das montanhas.
Assim que livramos Santa Helena os alísios entraram com generosos 15 kts, bem em nosso traves esquerdo, numa navegação bem confortável a 7 kt.
Nosso rumo é direto até Guaratuba, e esperamos tempo bom até a costa brasileira na altura de Campos (estado do Rio). Deveremos passar a costa carioca e paulista afastados 300 milhas ou mais, rumo a nosso destino.
Mais próximos do continente iremos ver como as frentes frias estarão se comportando para quem sabe mudarmos nossa estratégia.
Serão 2450 nm (quase 4500 kilometros).
Nossa expectativa é fazermos a travessia entre 19 e 21 dias.
Nossa posição em 07/02/2012 as 17:35 UTC 16 07 S / 006 19 W
Tudo bem a bordo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Décimo Terceiro dias CT/SH - Terra a vista!

Na noite do 12 para o 13 dia, o vento definivamente foi-se, e assim motoramos a noite toda.
O lado ruim é o ruído do motor que dificulta nosso sono, mas o lado bom é que podemos usar todos os eletrônicos ligados - Plotter, Radar, AIS e etc.
No turno da Sandra, o alarme do radar tocou e ela constatou a passagem do HMS Santa Helena, navio cargueiro que abastece a ilha passando próximo no mesmo rumo que a gente - vamos ter fruta e verdura fresca quando chegarmos! :)
Falar em chegarmos, de manhã avistamos a linha da ilha no horizonte.
Mais 5 horas estaremos ancorados.
Tudo bem a bordo.

Nossa posição em 31/12/2012 as 12:43 UTC 16 10 S / 005 22 W

Z

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Décimo Primeiro e Décimo Segundo dias CT/SH

O tempo nessa área tem um padrão que se repete todo dia.
A noite surgem alguns cumulus não sei de onde, e com eles rajadas de vento que aceleram o barco da tranquilidade que ele navega. De manhã o dia começa totalmente sublado, parecendo que vai cair o muita chuva, mas com o passar das horas vai abrindo, e por volta de 11 da manhã já não tem mais nuvem nenhuma no céu. Isso vai até a noite, quando começa tudo de novo.
O vento nos últimos dois dias não tem sido muito forte, mas suficiente para mantermos nossa média de 130 a 135 milhas por dia.
Hoje inclusive tivemos que motorar um pouco pois o vento simplesmente acabou, mas por pouco tempo.
Temos falado por radio com alguns barcos que também estão indo para Santa Helena. Um deles saiu da mesma marina que estavamos (Barco alemão de nome Yemanja), outro barco holandes (Zwerver) que saiu da Namibia.
Chegaremos quase ao mesmo tempo.
Segundo eles disseram, ja tem 11 barco ancorados em Santa Helena e mais 10 a caminho.
Vai ser uma festa novamente o reencontro de 21 barcos.
Ontem a noite fisgamos um dourado, que ja foi servido hoje grelhado com molho de maracuja! :)

Nossa posição em 30/01/2012 as 15:18 UTC 17 39 S / 003 58 W

Tudo bem a bordo

PS* Deveremos chegar amanha a tarde.

Z